16 de dezembro de 2012

As (nossas) cidades no contexto global

Cidade, por definição formal, é um meio geográfico e social caracterizado por uma forte concentração populacional que cria uma rede orgânica de troca de serviços (administrativos, comerciais, profissionais, educacionais e culturais). Acrescentaria que nesse espaço territorial a comunidade de indivíduos partilham dos mesmos valores de liberdade e tolerância e estabelecem relações sociais e familiares mais ou menos estáveis e duradouras entre si. Parece demasiado simples, mas não é. E muitas vezes acontece é que as cidades cresceram tão rapidamente, fruto da cada vez maior vaga de populações oriundas do espaço rural, que, em inúmeros casos, se tornaram locais difíceis para a vivência digna do ser humano. Portanto, há que voltar atrás e recuperar alguns valores perdidos, repensando o espaço onde muitos de nós nos movemos diariamente…


Há cidades que cresceram fisicamente para além do que a sua parca população poderia suportar, ao nível sobretudo de estruturas comerciais e empresariais, em muitos casos em que a oferta superou a procura. O que levanta problemas ao nível económico: demasiada oferta comercial, pouca procura pelos bens e serviços disponibilizados, quebra de fluxo financeiro, despedimentos, insolvências, e concomitantemente, ou talvez antes, quebra de produtividade. No entanto, as novas propostas de desenvolvimento urbano passam por uma mudança de atitude e de mentalidade que não pode ser feita pela medida-padrão dos velhos modelos. Chegou a hora de olhar para fora e fazer melhor cá dentro. Com a nossa serenidade de atlânticos. Com o silêncio das nossas brumas. E concluiremos que com pouco se fez muito. Este é um debate que exige uma reflexão imediata e abrangente, longe de cenários eleitoralistas, longe das inúteis picardias político-partidárias. Afinal, as cidades pertencem aos seus habitantes, e aos agentes diversos que nela atuam.

1 comentário:

Pedro Almeida Maia disse...

Gostei da expressão "serenidade de Atlânticos". Sim, porque temos vantagens quanto às metrópoles: com pequenos gestos se fazem grandes obras!