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25 de outubro de 2010

Brandos e Contemplativos, os Costumes Portugueses

 (Imagem extraída do Google)

Independente do resultado das negociações PSD/PS para a viabilização do Orçamento de Estado, que se tenha conhecimento, e, para tal, não é preciso fazer um esforço de memória muito doloroso, o país está em crise desde há dez anos.


Mas não se compreende como os sucessivos governantes foram enchendo os olhos dos eleitores com charadas estatísticas, e que estes não se tivessem levantado para protestar na rua. Em França, os franceses revoltam-se porque querem mexer dois anos na idade de reforma. Por cá, com aumentos de impostos plurianuais, quedamo-nos mornos no sofá da sala, pachorrentos em frente ao televisor.


Uma pergunta que então se impõe, é saber por onde andou a oposição deste país? Durão Barroso fugiu para Bruxelas; Santana Lopes foi destituído através de um acto político rocambolesco; Manuela Ferreita Leite, Marques Mendes e Filipe Meneses não estiveram, por uma qualquer razão, à altura do combate; Pedro Passos Coelho vai-se afirmando progressivamente... Mas... É preciso mais!


A questão de se saber se a direita é melhor que a esquerda é um pouco mais profunda do que a questão da liderança.


Há primeiramente uma questão de adaptabilidade da direira à modernidade. Tradicionalmente conservadora e reaccionária, a direita demora a libertar-se dos tiques do passado: dos bons, dos maus, e daqueles tiques cuja receita não mais funciona.


Por outro lado, falta a esta mesma direita uma visão mais inteligível, pragmática e estratégica da sociedade. Não é "contra o poder marchar marchar", que se lá chega. É preciso mais!


No duro campo de batalha da política, a direita frequentemente deixa o seu flanco desprotegido, seguindo cegamente em frente sem saber muitas vezes para onde ou por onde vai. Não tem plano B. É mais tudo ao molhe e fé em deus.


A esquerda não. Raramente costuma atacar sem uma profunda reflexão (não admira para que sirva tanta comissão de estudo). A esquerda contempla circunspecta o meio envolvente, e ataca sem nada o fazer prever. É, digamos, boa discípula das melhores tácticas de guerra.


Os desiquilíbrios de uma e outra ala, ou, se quiserem, os excessos e os défices, de uma e outra ala, não trazem resultados produtivos para o bem geral.


Acredita-se que a direita esteja a renascer progressivamente do fundo do poço. Crê-se que essa massa de água transborde a seu tempo, e volte a irrigar os campos férteis do país, do Estado e da sociedade.


Até lá, sentar-nos-emos pachorrentos no sofá e fiquemos à espreita!

14 de setembro de 2010

Vivó Verão, definitivamente




Ainda não chegou à cidade o último dia de Verão. Mas não tarda nada, todo o hemisfério a norte do Equador vai vestir-se a rigor e dizer adeus à estação do ano que todos nós mais amamos. Ainda não chegou o derradeiro momento, mas não tarde nada. Nós que exaltamos esta época, que a vivemos sem limites, abusando dos banhos, dos passeios, das jantaradas demoradas, de tudo o que podemos desfrutar. O Verão finda, melancolicamente. O Verão não passa de uma estação estúpida, porque se acaba. Se, ao menos, nos fosse dado a escolher, mas não, humanos não têm palavra nem domínio sobre a natureza. Não há pois mesmo nada a fazer. Preparemo-nos!

16 de novembro de 2009

Post Número 100 dedicado a Paul Auster


Invisível é o título do último livro de Paul Auster, altamente recomendável é tudo quanto pode dizer um leitor que para já não dobrou a página 50. Rubolf Born, professor de Política Internacional, a sua (?) namorada Margot e Adam Walker, um jovem aspirante a poeta, são os vértices de uma amizade quite-wired que começa em Nova Iorque no ano de 1967 e que se vai arrastar por Paris e uma Ilha das Caraíbas até 2007. Para quem se habituou à escrita de Paul Auster desde muito cedo, consegue-se neste livro recuperar o prazer de ler um bom romance deste autor (desde As Loucuras de Brooklyn, que até nem foi assim há muito tempo).
Uma curiosidade: este blogue começou com um post sobre outro livro de Paul Auster, Viagens no Scriptorium, que não passou de um ensaio mediano sobre o comportamento de um homem a envelhecer e a perder as suas faculdades. Mais informações sobre o autor e sua (vasta) obra em Leya.com.

4 de novembro de 2009

Saudade de um Portugal que Evoluía e Prosperava



Estou a gostar muito do livro Em Busca da Identidade, o Desnorte de José Gil, editora Relógio d'Água. Para a maioria das pessoas José Gil não passa de um filósofo de esquerda com ideias muito herméticas. Mas já o li por diversas vezes e gostei sempre do que li: Portugal Hoje, o Medo de Existir (em que os governos PSD's de Durão Barroso e Santana Lopes são visados de uma forma implacável). De momento estou a gostar muito deste Em Busca da Identidade, o Desnorte, pois de uma forma exímia José Gil pretende encontrar as raízes do problema em torno da nossa identidade colectiva, ou talvez a nossa sobre-identidade (o visado agora é o nosso renovado 1º Ministro). Na melhor tradição de Eduardo Lourenço. Pelo meio, sinto uma inapelável saudade do tempo em que o país progredia e
prosperava económica e culturalmente, quando simultaneamente eu próprio tinha tempo para ler avidamente Kafka, Camus, Toffler, Fukuyama, entre outros.

3 de novembro de 2009

O silêncio lava a Alma

Tenho andado muito caladinho, pois eu sei, mas vem aí uma grande rentrée, só não sei é quando... Talvez amanhã, pelas 19h30...

27 de setembro de 2009

Futebol não é Política






Uma vez mais o Benfica goleou, desta vez o Leixões por 5 bolas sem resposta. Quem amanhã se atreve a ganhar por margem tão confortável?

17 de setembro de 2009

Malandrice e Sabedoria, inconciliáveis-quê?

É hora de sair das catacumbas. Vivemos num mundo livre e cheio de oportunidades. O que precisa é vencer os seus medos e as suas limitações e construir rapidamente o projecto que lhe falta. Os muros de pedra basáltica erigidos pelos nossos antepassados, que se vêm diariamente nas estradas, não foram feitos com varinha mágica, foram feitos com mão humana, e chegaram até nós porque foram erguidos duramente com muita sabedoria e muita persistência. Eu gostaria de viver até aos 100 anos, e gostaria de chegar lá a trabalhar. Os idosos noutras partes do globo trabalham até tarde e têm os músculos enrijecidos. Vemos por vezes auxiliares bojudos que não se levantam nem para abrir a porta a alguém que passa com um volume de cartão cheio de utensílios, sobretudo se quem quer passar a porta for do sexo feminino, e ainda riem disso, como se o Mundo fosse dos homens. As coisas assim não podem funcionar. É hora de começar a sair responsável e progressivamente das trevas em que nos fomos afundando porque a Escola não deu resposta. Aliás, coloca-se a questão pertinentemente hoje "Para que serve a Escola em Portugal?". Comece hoje mesmo com uma Atitude renovada. Invista a sério na sua auto-Educação!
Não dói.
Não custa nada. Ou custa muito pouco quando comparado com outros vícios.

6 de setembro de 2009

Afinal, quem diz o que Devemos Ler?

É um tema que está sempre na calha. E não há muita filosofia à volta disso. Claro que cada um é livre de ler o que quiser sem esperar que os outros o ostracizem por isso. A literatura, como a música, ou o teatro, é uma vertente popular da expressão da cultura de cada um. Eu gosto do Carlos Ruiz Záfon, defendo mesmo que é um dos melhores autores da actualidade, digo eu, e milhões de outros leitores; Mas ele gosta exclusivamente de Villa-Matas e de Martin Amis; Outro venerará Ian McEwan; Nós todos gostamos de Agustina, Nora Roberts... And so on. É uma imaturidade dizer que os outros devem ler este ou aquele livro só porque sim, porque é a bela-literatura, ó por favor, os tempos da Inquisição e do pensamento único ficaram lá atrás, na memória do passado.
A leitura é um acto solitário na acção, mas um acto social e psicológico na partilha. Nem todos lêem a chamada bela-literatura porque não têm conhecimentos para tal.
Como povo, como cidadãos do mundo, temos um défice de leitura, e está mais que provado, a leitura, os livros, ensinam-nos tudo o que podemos imaginar. E há indíviduos que meia volta fazem apelo à leitura, aos jovens, mas também aos pais, que o que é bom ler isso e aquilo, mas eu pergunto se isso não é ter lower expectations relativamente ao gosto e à tendência do Outro, será o quê? Haverá autoridades que saibam melhor do que eu o que devo ler? Sobretudo o que os outros devem ler? Haverá um Vaticano da Leitura, que publica o rol dos 100 livros indispensáveis à boa formação do espírito e da inteligência? Mas afinal em que mundo vivemos? Ou será que todos estes leram O Capital, O Ulisses, A Montanha Mágica, O Dom Quixote? Give a break, please!

28 de agosto de 2009

Um ex-ministro Pop, Jet Set ou Pimba?



Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de José Sócrates, o tal das grandes gaffes verbais, dos corninhos no Parlamento, cometeu a proeza de, mesmo de fora do elenco governativo, cometer outra tirada linguística bombástica e destrambelhada à Notícias TV: "As pessoas agora adoram falar comigo. Toda a gente me vem falar. Até me pedem autógrafos." Sr. ex-ministro, palavras para quê? Está tudo dito, pois claro.

25 de agosto de 2009

Há 10 anos que se Bloga em Todo o Mundo



É verdade: Há dez anos anos que se bloga por toda a parte, desde o surgimento do Blogger. Útil ou frívolo, credível ou uma fraude de transmissão de informação, de opinião, de debate, de diário pessoal on line, cada um decide per si participar ou ficar de fora. Bravos os pioneiros, corajosos os que têm resistido ao longo dos anos à cobardia e à virulência do anonimato. Uma palavra especial ao Máquina de Lavar, por onde passei recentemente como autor e onde volto de quando em vez para ir comentar. Mas também ao :Ilhas que foi onde aprendi a participar na blogosfera.

1 de agosto de 2009

Living in Farturolândia











Editar fotos não é o meu forte. Mas penso que cada imagem ilustra a fartura de oferta de entretenimento que tivemos nos últimos dois dias. Gosto em particular da postura (in)cid(iosa) do José. Deolinda tocou no local errado; Sou indiferente aos Reammon; Festa Branca, costumo dizer que fica para o ano que vem!

20 de abril de 2009

Dan Brown's new book

Na língua dos camones pela mão da Random House, esse gigante da edição, chamar-se-á THE LOST SYMBOL e sai em Setembro, se não houver atrasos. O best seller norte-americano autor d'O CÓDIGO DAVINCI e ANJOS E DEMÓNIOS (Edtora Bertrand). Esta saída marca ainda o regresso de Robert Langdon.

A expectativa é enorme.