25 de outubro de 2009

Anjos Caídos...

A SIC, canal de televisão pelo qual guardo o maior respeito e admiração, sobretudo ao nível informativo, transmite ao domingo à noite o programa Ídolos. Muito sinteticamente, este programa pretende seleccionar de entre milhares de jovens do sexo feminino e masculino o que possui a melhor voz pop. Apenas para lembrar que foi da edição de 2003 que saiu a voz da Luciana Abreu.
Cláudia Vieira e João Manzarra apresentam o programa e acompanham os candidatos a popstar até um júri constituído por 4 elementos: Roberta Medina, Manuel Moura dos Santos, Laurent Filipe e Pedro Boucherie Mendes. Todos eles dispensam apresentações e são pessoas com créditos firmados.
Até aqui tudo bem!
Só que, para quem se deu ao trabalho de assistir a pelo menos 1 sessão, este programa roça, em certos sentidos, o mau gosto e a ofensa gratuita é utilizada contra quem nele participa com aquele ar de ingenuidade que pensa que o sucesso está ao voltar da esquina.
99% dos concorrentes que desfilam perante o júri canta mal. Destes, 70% canta mesmo muito mal. E muitos acreditam muito seriamente que cantam bem. Mas não há razão absolutamente nenhuma para tratar da forma como tratam muitos destes maus cantores que são levados pela ingenuidade onírica de uma vida fácil de fama e de sucesso. Aquilo é uma mixórdia emocional intensa: choro, frustração, vergonha, raiva, medo e muita revolta.
A busca desenfreada por um talento não justifica essa amostra de saloiice suburbana e nem credibiliza uma sociedade que quer ganhar o estatuto de civilizada.
Se a intenção do Programa é pôr o país a rir, então prefiro que me sirvam o Gato Fedorento ao serão. Mas como o país é livre, há mais canais no cabo.
Sem querer ofender ninguém, o Ídolos lembra-me coisas tristes como o Herman SIC, ou mesmo o Big Show SIC, programas de proa dos anos 90 do século passado. Enfim, o país mergulhou definitivamente nesse mar lodoso de faz de conta. Agora os serões de domingo à noite voltam a cartografar o país real que temos. Triste. Rosa. Inapto. À sua pequena maneira feliz com o seu Destino. Volte Salazar ao Poder, Eusébio aos Relvados, Amália aos Palcos, vão ver se não voltamos a ser felizes outra vez.

3 comentários:

L disse...

É curioso como os concorrentes se deixam maltratar, já sabendo ao que vão. E como acham que a sua vida dependesse do resultado do concurso. E os talentos que por ali aparecem são geralmente muito efémeros.

Luís Almeida disse...

Ó Luís, mas tal só revela o país trágicómico que temos: revoltam-se, mas no entanto vão tentar a sorte; Bates-me, mas eu gosto de ti, e quanto mais bates... Enfim!

L disse...

É mesmo isso!