8 de setembro de 2009

Em estado de choque?

Educação e Instrução. São palavras frequentes em todos os discursos políticos, em todas os escalões eleitorais, desde o tempo da Velha Senhora. A realidade dos números é cortante e realça o atraso que o discurso político não quer assumir. Assim nos diz a reportagem População activa na Região com baixa instrução do jornal Açoriano Oriental de hoje. Neste capítulo falta fazer muito, mas não da mesma maneira. Não é só um problema regional, é nacional. Não é só um problema da Escola, é da Sociedade. E não é apenas um problema político. É um problema de todos. Dever-nos-á chocar e envergonhar que Portugal tenha qualquer coisa como 1 milhão de analfabetos? Mesmo considerando a possibilidade de alguma falta de rigor e exagero, é mau. Pois a mim choca-me, e muito. E mais profundo do que isso, é querermos uma sociedade mais rica e próspera para os nossos filhos, mas as estatísticas afundam as mais ténues expectativas. É de ficarmos em estado de choque? O que vamos esperar do futuro colectivo?

3 comentários:

Paula disse...

A situação das nossas escolas é alarmante a todos os níveis.
Tiraram todo o mérito a uma classe que se esforça e que dá o seu melhor pela educação - os professores (claro que há excepções).
Ouviu-se o primeiro-ministro dizer que os professores eram uma classe privilegiada e que estes privilégios tinham de acabar. Uma vergonha esta saída do nosso primeiro-ministro.
Por acaso alguém se lembra de referir quanto do trabalho dos professores é feito em casa?? As escolas raramente têm impressoras, tinteiros, folhas A4, o número de fotocópias a tirar por cada professor é limitado!! No entanto, as fichas aparecem, os materiais surgem como por milagre! Isto para não falar nas instalações que em muitas escolas são uma autentica VERGONHA! Chove nas salas, humidade por todo o lado, as verbas, estas, não há nem para uma simples fechadura!
Isto para não falar nas salas de aula que estão a “abarrotar” de crianças de diferentes níveis escolares. Como pode um professor concentrar-se em dar aulas, por exemplo, ao 4º ano de escolaridade, quando tem crianças a nível do 1º, 2º e 3º nível na sala?? Como pode o tempo render para que este professor faça com que os alunos mais atrasados consigam recuperar??
Digamos que a nossa educação/instrução está a tornar-se num verdadeiro caos!
É alarmante quando pensamos que os nossos filhos têm de frequentar este sistema de ensino!
Quando os pais têm possibilidade de ajudar os filhos em casa, a “coisa” ainda vai e quem não tem?? Ficam os miúdos a passar de ano consecutivamente sem nada saberem! Uma boa maneira de aldrabar as taxas de escolaridade. Pois a realização do ensino obrigatório por parte de um aluno não se traduz em sucesso escolar. Muitas vezes apenas sabem escrever o nome e resolver problemas do dia a dia.
O Luís desculpe esse longo desabafo, mas esse assunto põe-me os nervos em franja!
Como pode a sociedade prosperar desta forma?

Luís Almeida disse...

Quando escrevi este post pensei que estaria a ser demasiado avinagrado. Mas agora tenho a consciência do contrário. Aproveito a deixa "como podemos prosperar" da Paula para focalizar o problema não apenas na falta de educação/instrução que crasse pelas nossas escolas/sociedade, mas na falta de preparação de muitos dos nossos políticos. E por cada Governo que nos (des)governa lá vem uma renovada Reforma no Ensino. Santa Pachorra!

Luís Almeida disse...

corrijo: que crassa, e não que crasse...